Copy
Boletim do Mandato Chico Alencar - #Boletim 727
Rio, 25 de outubro de 2018.
Veja este email no seu navegador
Ver este email no navegador
Período de trevas
 
“A noite chegou. Que noite!
Já não enxergo meus irmãos.
E nem tampouco os rumores
que outrora me perturbavam”

(Carlos Drummond de Andrade, “A noite dissolve os homens”,
poema dedicado a Cândido Portinari, do livro “Sentimento do Mundo”, 1940).

1. A extrema direita no poder

Bolsonaro é sintoma da crise terminal da Nova República. Matias Spektor reconheceu que, durante 30 anos, ela “teve a virtude de prover estabilidade política a um país que, antes dela, ignorava o significado do sufrágio universal e dos direitos básicos de uma democracia” (FSP, 11/10/2018). Matias revela também o defeito congênito do regime que se esfacela: “trata-se de um acordo negociado entre as lideranças da abertura e os representantes civis da antiga elite autoritária. O resultado é um pacto que, nessas três décadas de vida, se criou estabilidade, também demandou doses cavalares de patronagem, clientelismo e corrupção”. O velho-novo Estado brasileiro sempre foi submisso ao rentismo, ao mercado do voto e à falta de controle popular sobre as instituições.

A Lava Jato, com suas seletividades e personalismos, ampliou um generalizado ódio à política e um nefasto “redentorismo justiceiro”. Mas, por outro lado, começou a investigar e publicizar o que nós já denunciávamos: a promiscuidade público-privada, o controle de governos e mandatos parlamentares por grandes corporações empresariais. Com quase tudo revelado, deu-se a liquefação dos partidos grandes e médios, e o declínio eleitoral dos seus caciques. A crise econômica – com o desinvestimento e o elevadíssimo desemprego, a precariedade crescente das políticas sociais e a violência e a insegurança crescentes – selou a sorte desse modelo (ou melhor, seu “azar”) nas urnas.

Continue lendo

Foto: Mídia Ninja
 
O Brasil de Bolsonaro
 
No último domingo, 57,8 milhões de pessoas votaram e elegeram o próximo presidente do Brasil, Jair Bolsonaro. É importante lembrar, no entanto: mais de 89,5 milhões preferiram a democracia e não votaram no candidato do PSL. Talvez tenham tido a sensatez que o presidente eleito não costuma ter em suas declarações. Assista ao vídeo do primeiro pronunciamento do Chico na tribuna da Câmara após o pleito e leia a nota do PSOL sobre as declarações que Bolsonaro deu ao Jornal Nacional no dia seguinte a sua eleição. Nós somos o que pregamos e o que praticamos.
Escola com mordaça
 
O retrógrado projeto de lei mal chamado “Escola sem Partido” teve mais uma vez sua votação adiada, por falta de quórum, na Comissão especial que analisa o texto.
Pelo regimento da casa, comissões e plenário não podem fazer votações ao mesmo tempo, e Marcos Rogério (DEM), que comanda a comissão, adiou a análise do projeto para a próxima semana. 
Ninguém quer escola partidária, mas esse nome esconde um movimento por uma escola sem senso crítico, sem cidadania, sem inventividade – da escola com mordaça, enfim.
Nós queremos a escola de Darcy Ribeiro, de milhões de educadores Brasil a dentro, a escola da pedagogia do oprimido de Paulo Freire, da libertação. Assista ao vídeo que Chico fez ao fim da sessão, terminando com uma discussão exaltada com Marco Feliciano, defensor do projeto.
 
Vai ter resistência!
 
Mais de 2 mil pessoas se reuniram nesta terça (30), em uma galeria da Av. Rio Branco, Centro do Rio, para dar início às discussões sobre a resistência ao futuro governo Bolsonaro. Toda a bancada do PSOL esteve presente, além de parlamentares de vários partidos e mais de 40 movimentos sociais e territoriais. O evento reforçou a necessidade de uma ampla unidade suprapartidária em defesa da democracia.
O discurso mais presente foi o de reforçar o trabalho junto às bases para voltar a conquistar terrenos perdidos pela esquerda.

Foto: Reprodução do Facebook PSOL Carioca
EBC sob ameaça
Entre as declarações polêmicas de Jair Bolsonaro, as ameaças à imprensa se destacam. Ganharam repercussão as afirmações do novo presidente ao Jornal Nacional, nesta segunda (29), dizendo que o governo pode cortar a verba de anúncio estatal ao jornal Folha de S.Paulo, depois da matéria que revelou com exclusividade o esquema de caixa dois da campanha de Bolsonaro para viabilizar o disparo em massa de fake news pelo Whatsapp. No entanto, pouco se falou sobre uma ameaça igualmente grave: em entrevista à Record, no mesmo dia, Bolsonaro disse que seu governo pretende “privatizar ou extinguir” a “nossa TV oficial”, se referindo à TV pública, que já havia ameaçado extinguir em outros programas.

Entre os papéis da Empresa Brasileira de Comunicação (EBC) está disponibilizar, por meio da Agência Brasil, milhares de textos e fotos gratuitamente para todos os veículos da grande imprensa.
A EBC também conta com a Rádio Nacional da Amazônia, que chega – com uma programação especial para a população ribeirinha – a locais onde nenhum outro veículo chega, nem se interessa em chegar.
Além disso, a empresa tem 3 mil rádios comunitárias, universitárias e educativas espalhadas por todo o Brasil, por meio da Radioagência Nacional, onde as matérias ficam disponíveis para download e uso gratuito de qualquer pessoa.
Por tudo isso e muito mais, a declaração de Bolsonaro é um acinte à liberdade de expressão e à Comunicação democrática e inclusiva. Não podemos aceitar a privatização ou o fim da EBC.
Artigos
No fundo do poço há um porão - Celso Rocha de Barros 
http://bit.ly/nofundodopoco

O futuro depois da eleição - Cacá Diegues 
http://bit.ly/ofuturodepois

Um alerta do que vem por aí - Bernardo Mello Franco 
http://bit.ly/umalerta

Os omissos - Luis Fernando Veríssimo
http://bit.ly/osomissos

 
Instagram
Instagram
Facebook
Facebook
Twitter
Twitter
Site
Site
Email
Email
Você está recebendo este email porque está cadastrado na lista do Mandato Chico Alencar. Caso não deseje mais receber nossos emails, DESCADASTRE-SE AQUI.
 
Mandato Chico Alencar
Brasília: Câmara dos Deputados - Anexo IV - Gabinete 848. Tel: (61) 3215-1848
Gabinete Rio: Rua Joaquim Silva, 56 (sexto andar) - Lapa. Tel: (21) 2232-4532 / Rio De Janeiro, RJ 20241-110 / Brasil


atualize sua inscrição