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 Os Elementos e nosso bem-estar




Trecho do livro A Cura através do Forma, da Energia e da Luz, por Tenzin Wangyal Rinpoche

 

O propósito do estudo e da prática dos elementos é afetar positivamente o nosso bem-estar, dando-nos ferramentas para alcançar o equilíbrio na saúde e em qualquer dimensão da experiência. Não se exige tanta intuição para saber quando estamos em equilíbrio ou não. Todos conhecemos estas experiências. Elas variam em um continuum que vai desde a máxima perturbação do equilíbrio - psicose ou doença grave - até o equilíbrio perfeito, que acontece somente quando ficamos na natureza da mente, a natureza pura. Em nossa vida diária estamos em algum lugar, oscilando entre o equilíbrio e o desequilíbrio.

A ideia de equilibrar as energias elementares pode ser utilmente aplicada a qualquer função humana, qualidade ou atividade: saúde, relacionamentos, prática espiritual, caráter, estado emocional, ambiente físico e assim por diante. Usando o desequilíbrio dos elementos como uma metáfora básica, podemos entender a doença e a infelicidade assim como todos os obstáculos em todos os níveis da prática espiritual. Equilibrar os elementos torna-se uma metáfora para a cura, para desenvolver qualidades positivas e capacidades, e para eliminar as qualidades negativas. Se um elemento predomina, precisamos cultivar o oposto. Se somos dominados pelo fogo, por exemplo, tratamos de ativar a água ou a terra e vice-versa. Se a terra é dominante, se estamos cansados, sonolentos e pesados ativamos o ar e o fogo. E se o ar nos domina, se somos inconstantes, estamos nervosos e temos um período de atenção curto, então nós ativamos a terra ou água. Existem vários exemplos óbvios de como equilibramos na vida diária:  se a febre se torna ameaçadora, recomendam-nos que entremos em água fria; se nos resfriamos demais, nós nos aplicaremos calor; e se nos desidratamos, beberemos água.

Por natureza, todas as conceituações são simbólicas e os cinco elementos são símbolos da tradição profunda e antiga. No entanto, além da metáfora, os cinco elementos são energias com as quais o praticante pode trabalhar diretamente através de ações físicas, movimento energético e o fluxo da consciência desperta.

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Cada ação que tomamos, em qualquer nível, é uma expressão das qualidades dos elementos em alguma combinação ou interação, bem como um reforço das condições que a geraram. Para dar um exemplo simples, a raiva é muitas vezes uma resposta do fogo. Se costumamos reagir com raiva, cultivamos o fogo dentro de nós, embora, neste caso, seja um atributo negativo do fogo. Da mesma forma, porque a criatividade está conectada com a natureza luminosa do fogo, quando reagimos criativamente estamos também desenvolvendo o elemento fogo, neste caso, em seus aspectos positivos. Este processo também é reforçado por normas culturais que favorecem certas qualidades elementares sobre as outras. Para continuar o exemplo do fogo, se nós crescemos em uma sociedade que favorece reações agressivas, fogo, nós nos inclinamos para desenvolver essas qualidades em detrimento das respostas mais amáveis, mais aquáticas, ante o mundo.

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Uma maneira de considerar o desequilíbrio permanente é pensar nas mudanças que queremos fazer em nós mesmos e a forma como podemos agir e reagir diante da vida. Nós nos perguntamos sobre isso normalmente nos leva a características particulares ou capacidades que queremos desenvolver ou eliminar. O que você quer mudar na forma como você se sente física, emocional, mental ou energeticamente? Onde você tem problemas? Você está sempre atrasado? Você fala demais? Ou pouco demais? Em geral, está atento ou disperso? Agitado ou tranquilo? Você está confortável com você mesmo? Tem os pés no chão? Você se preocupa demais? Você é responsável? Você está conseguindo o que você quer? Como é sua prática de meditação? Há progresso ou apenas passa algum tempo de cada dia em um transe? Sua meditação é o mesmo que em anos antes, ou teve progresso? Você está mais perceptivo? Sua mente está mais calma, mais tranquila? Você está mais em paz? Sua prática é alegre, ou é um fardo?

As respostas a essas perguntas podem ser traduzidas em função dos elementos. Em cada área em que você gostaria de mudar, pense sobre a qualidade elementar que você precisa cultivar ou diminuir. O mais provável, embora não necessariamente, é que o resultado seja de um ou mais elementos parecerem dominar sua experiência, ou que pareçam estar faltando um ou dois elementos.

Outra maneira de encontrar seus traços dominantes é perguntar aos seus amigos qual elemento eles pensam que domina você. Mesmo não saibam nada sobre os itens, você poderá obter respostas surpreendentemente consistentes.

O importante é entender a si mesmo. Aplique sua inteligência aos problemas da sua vida, utilize sua percepção para melhorar sua qualidade de vida e a efetividade de sua prática espiritual. Você pode mudar ainda tendências habituais muito arraigadas, mas deve empregar seu entendimento e esforço e fazê-lo de maneira inteligente. A vida é demasiado curta para desperdiçá-la realizando práticas espirituais inadequadas ou ineficazes e para não empreender práticas adequadas e efetivas.

Esses são trechos do livro de Tenzin Wangyal Rinpoche, A Cura através da Forma, da Energia e da Luz, disponível na loja do Ligmincha Brasil

Foto de Tenzin Wangyal Rinpoche por  Maria Aurelia Kulik.

 

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